Como perdoar uma traição

Como perdoar uma traição?…Uma questão um tanto ou nada dúbia, se tivermos em consideração que o próprio acto acarreta uma conotação negativa e obviamente difícil de lidar. Ao vivenciar uma traição é de extrema importância (embora pesarosa), que se encare conscientemente a situação. O processo subjacente à traição, é uma busca incessante entre o apuramento de responsabilidade de quem traiu e a luta pelo perdão. Surgem essencialmente questões relacionadas com o apuramento de responsabilidade e motivo pelo qual se trai “porque fez isso?” e “que fiz de errado?”
Devemos evitar a culpa em nós próprios e no parceiro, caindo na armadilha da culpabilização pelos nossos actos e pelos de que traiu, fomentando a fuga dos problemas ao invés da resolução do mesmo.

Vivemos em permante actualização e num mundo de constante aprendizagem, onde o factor “erro” é força motriz do crescimento e partilha de experiências. Por vezes, uma escolha menos acertiva, realizada inconscentemente, reflete a falta de sintonia com o nosso íntimo e pode não traduzir exactamente a nossa vontade. Entenda-se assim, que uma traição pode ser encarada como uma dessintonia entre a vontade física/carnal e a vontade mental. Assim, quando realizadas de forma inconsciente quebrando a sintonia corpo e alma (verdade interna), isso reflete-se externamente, física e relacionalmente nas situações do quotidiano.

Escolhas repetidas e pouco reflectidas, manifestam comportamentos pouco produtivos, mal estar físico e mental, desentendimentos, etc, que só com compreensão mútua e vontade de vencer e ultrapassar (pelo casal) permitirão resolução dos mesmos e (re)estabelecer laços afectivos. As traições não surgem de um processo unipesssoal, mas sim de um conjunto de factores inerentes ao casal, que por motivos de força maior, sendo eles, rotura de afecto…desinteresse, necessidade de aumentar a auto-estima, entre tantos outros factores (não menos importantes) que levam a uma procura incessante por novas aventuras e fonte de inspiração e sedução. A responsabilidade não se atribui apenas e exclusivamente ao “traidor”, sendo ele o agente activo e promotor da traição, mas também à pessoa traída – agente passivo e a quem cabe possivelmente perdoar uma traição.

Perdoar uma traição é parte integrante do processo de aprendizagem individual , permitindo uma possível reconciliação do casal. Este processo permite transformar uma situação desagradável e desconfortável no seio do casal, numa experiência enriquecedora que criará novos laços afectivos, se o casal trabalhar conjuntamente.

Ultrapassar uma traição não está directamente relacionado com o perdoar uma traição, e este processo pode ser extramamente difícil e doloroso. No entanto deverá libertar-se de pensamentos mais obscuros, e utilizar mecanismos de auto-resolução que o ajudem neste processo, começando por ir ao encontro da raíz dos problemas e factores desencadeantes deste processo e assim libertar-se para novas vivencias e paz interior.

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